Na passada sexta-feira de manhã
esperava eu calmamente na estação dos caminhos de ferro em Entrecampos pelo
Alfa Pendular que me levaria até à cidade de Faro, significava que somente após
catorze meses desde a publicação do meu primeiro livro de literatura fantástica
avançava para o sul com o intuito de conquistar corações em terras de
temperaturas inóspitas e de gentes corajosas.
Foi uma viagem como sempre muito
agradável, ar condicionado, serviço a bordo tudo o que necessitava antes de
enfrentar o calor seco a sul.
“Próxima paragem Faro”
Acordava com a voz calorosa a
dar-me as boas-vindas a uma cidade que conheço tão bem. Contudo, quando o
comboio parou e a porta se abriu fui recebida por um bafo que instantaneamente me
fez lembrar Dante e o seu “vestíbulo do inferno”, também eu me encontrava como
aquelas pobres almas, indecisa, porém ficar dentro da carruagem com o ar
condicionado naquele momento deixara de ser uma opção.
“Atão moce, na t’espachas?”
A voz impaciente do senhor atr…