Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

Lar Doce Lar

Lembro-me da casa dos meus avós em Lisboa, numa rua com frondosas árvores que nos protegiam da chuva no inverno e do calor no verão. Acordar com o chilrear dos pássaros a receberem cada novo dia. Mas lembro-me principalmente dos vizinhos, eram uma extensão da nossa própria família. Pedir um balde de gelo, meia dúzia de ovos ou uma xícara de açúcar era mais do que um esquecimento nas mercearias, era uma oportunidade para conversarmos sobre tudo e sobre nada.
Depois mudei para um prédio impessoal também em Lisboa, onde cedo me habituei que os simples gestos de boa cidadania eram quase como jogar “roleta russa”.  
E quando julgamos que já nos habituámos a esta indiferença os vizinhos que se tinham inicialmente resignado à nossa presença acabando por nos aceitar envelhecem, partem. A verdade é que os tempos mudam e nem sempre essas mudanças são para melhor.
Por isso quando leio que a sonda Schiaparell embateu no solo de Marte lembro-me das vezes em que a meio da noite ouço estranhos ruídos…

E viveram felizes para sempre

Eram oito horas da manhã quando na passada quinta-feira chegava a Alcobaça a convite da Câmara Municipal para participar na 3.ª edição do festival Books & Movies. Dirigi-me à Biblioteca Municipal atravessando a pequena ponte sobre o rio Alcôa com o habitual nervosismo de quem nem não sabe o que esperar, mas com a forte convicção da imensa responsabilidade que é apresentar os MacCumhaill e a Irmandade. Desta feita a minha assistência eram os alegres, curiosos e deveras interessados alunos das escolas de São Martinho do Porto e da Benedita com os quais passei momentos simplesmente indescritíveis. Almocei no restaurante Frei Bernardo em excelente companhia onde entre diversas iguarias pude degustar alguns dos tentadores doces conventuais. E onde fui simpaticamente convidada para um final de noite que se veio a comprovar deveras reconfortante à lareira a ouvir falar em bom português. Mas foi naquele final de tarde sentada na esplanada da pastelaria Alcôa defronte para o Mosteiro enqu…

Festival Books&Movies 2016, Alcobaça

A convite da Câmara Municipal de Alcobaça este ano estarei presente na 3ª edição do Festival Books&Movies, 
E é já amanhã dia 13 de Outubro, no Auditório da Biblioteca Municipal que irei levar os mundos fantásticos dos MacCumhaill e da Irmandade aos Grupos Escolares. 
O primeiro encontro está marcado para as 09:30h e o segundo para as 14:00h. 
Quem quiser aparecer é sempre muito bem-vindo.
Até lá!

“…, Nobre Povo, Nação valente, …”

Somos realmente um nobre povo. Foi com esta sensação que voltei de Paris no passado dia 10 de outubro, onde me desloquei a convite da SALF, Société des Auteurs Lusophones de France. Tive o enorme privilégio de ser uma das suas convidadas de honra, garantindo-me assim a possibilidade de falar sobre os meus livros, conhecer novos autores e agentes literários além-fronteiras. É verdade que quando lancei “Yggdrasil, Profecia do Sangue” em 2015, tive medo que a minha ambição de dar a ler o que escrevo ficasse por aí, mas lembrando-me dos meus “egrégios avós” soube que todos os passos que desse, fossem eles mais ou menos consistentes acabariam eventualmente por me “guiar à vitória” sendo que as minhas armas não serão certamente outras do que as palavras com as quais tanto gosto de brincar. Aterrei no aeroporto de Orly no passado dia 08 de outubro, na companhia da poetisa angolana Regina Correia que viajava no mesmo voo e com quem descobri ter tantas afinidades. Foram dois dias intensos. Qu…

Porque também de nós reza a estória

Não somos ninguém e somos toda a gente. Somos filhas, mães, avós. Somos quem somos. Nada nos liga e tudo nos atrai. Somos sonhadoras. Perdemos umas vezes e ganhamos outras tantas. Mas acima de tudo não deixamos de acreditar. Acreditamos que o amanhã será melhor do que o hoje, levamos os nossos sonhos sempre mais além, entramos numa corrida de obstáculos e sabemos que alcançámos a nossa meta quando olhamos à nossa volta e sentimos que o nosso trabalho importa não é somente mais um entre tantos. Afinal somos novas autoras, mas com tanto para contar. E no sábado passado esse foi o momento da Anita dos Santos.
Num encontro no magnifico Clube literário da Chiado Editora, onde com casa cheia foi apresentado o seu segundo livro. Na mesa ladeada pelas suas duas oradoras convidadas e a sua representante editorial a Anita irradiava a sua própria luz. Não pensem, contudo, que era um momento para mulheres. Não! Era um momento para leitores, para nós que continuamos a gostar de ter um livro nas mão…

Era uma vez...

Quem nunca se apaixonou perdidamente por um livro e pelo seu criador. Desde o momento em que o tiramos de uma qualquer prateleira, o folheamos, o cheiramos cada livro tem um cheiro distinto do que nos quer contar dos locais para onde nos quer transportar um pouco da alma do seu criador. Quando começamos a ler deixamos de existir e passamos a fazer parte daquele novo mundo que se abre para nos receber. Cada parágrafo é um novo momento dessa nossa nova existência, passamos a aceitar os vilões como nossos inimigos mortais, identificamos-nos quase sempre com os seus heróis que têm tanto de nós ou de quem gostaríamos de ser. Somos naqueles momentos em que o simples virar de páginas nos traz novas promessas, desejos parte daquele novo mundo. Quantas vezes damos por nós sem conseguir dormir sem terminar de ler o próximo capítulo? Por isso significar deixar a nossa nova existência num limbo sentimos que temos que completar a nossa jornada pois essa continua à nossa espera naquelas páginas onde…

“Quem tem medo do Lobo mau, Lobo mau, Lobo mau”

Todos que tenham a minha idade sabem que esta era uma das músicas preferidas da nossa infância (bem de pelo menos alguns, eu pessoalmente gosto de não me incluir neste grupo). Mas a triste realidade é que desde pequenos que nos fomos habituando a ouvir que o Lobo é mau, agressivo, falso, agoirento, a própria representação do mal, e o cancioneiro português é disso um rico exemplo.  Mas existem muitos mais exemplos em todo o mundo desde os tempos mais remotos. Na mitologia Nórdica que tanto me fascina, Fenrir é visto como um lobo monstruoso, pai dos lobos Skoll, que pretende destruir o sol e de Hati, que por sua vez pretende destruir a Lua. Também na literatura somos bafejados por incríveis descrições da sua maldade, Bram Stoker apresenta-os como os guardiões da noite do príncipe da Valáquia, Vlad Dracul consegue mesmo transmutar-se num lobo. E não me poderia esquecer dos lobisomens que aparecem somente para nos atormentar quando à noite fechamos os olhos e nos deixamos guiar para onde…