Lembro-me da casa dos meus avós em Lisboa, numa rua com
frondosas árvores que nos protegiam da chuva no inverno e do calor no verão.
Acordar com o chilrear dos pássaros a receberem cada novo dia. Mas lembro-me
principalmente dos vizinhos, eram uma extensão da nossa própria família. Pedir
um balde de gelo, meia dúzia de ovos ou uma xícara de açúcar era mais do que um
esquecimento nas mercearias, era uma oportunidade para conversarmos sobre tudo
e sobre nada.
Depois mudei para um prédio impessoal também em Lisboa, onde cedo me habituei que os simples gestos de boa cidadania eram quase como jogar “roleta russa”.
E quando julgamos que já nos habituámos a esta indiferença os vizinhos que se tinham inicialmente resignado à nossa presença acabando por nos aceitar envelhecem, partem. A verdade é que os tempos mudam e nem sempre essas mudanças são para melhor.
Por isso quando leio que a sonda Schiaparell embateu no solo de Marte lembro-me das vezes em que a meio da noite ouço estranhos ruídos…
Depois mudei para um prédio impessoal também em Lisboa, onde cedo me habituei que os simples gestos de boa cidadania eram quase como jogar “roleta russa”.
E quando julgamos que já nos habituámos a esta indiferença os vizinhos que se tinham inicialmente resignado à nossa presença acabando por nos aceitar envelhecem, partem. A verdade é que os tempos mudam e nem sempre essas mudanças são para melhor.
Por isso quando leio que a sonda Schiaparell embateu no solo de Marte lembro-me das vezes em que a meio da noite ouço estranhos ruídos…