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Mensagens

O Covil da Ria Formosa - II Capítulo

Capítulo Dois      Os raios de sol penetravam através da janela do quarto. Mesmo fechada permitia a passagem daquele cheiro que parecia ter ganho novas proporções.       Desceu dirigindo-se à cozinha onde preparou um bule de café. Encheu uma chávena e foi abrir a porta de acesso ao pátio virado para a ria no preciso momento em que Matilde se preparava para bater.           - Olá Mário!           - Matilde? Quando chegaste?           - Ontem à noite. Tiveste saudades minhas?             Ali prostrada à sua frente estava a miúda com quem namorava todos os anos nas férias.             Como não respondesse. Matilde avançou para ele abraçando-o e beijando-o. Evitando passar o limiar da porta. – Não me convidas a entrar?             - Tenho sempre saudades tuas, anda cá. Entra. – Apertou-a, beijando-a.             - Olha porque é que nunca me procuras em Lisboa?             Beijava-lhe o pescoço enquanto lhe respondia a custo – Porque ando sempre de um lado para o outro, sabes que o meu curso não me…

O Covil da Ria Formosa - I Capítulo

O sol ainda aquecia naquele final de setembro. Estirados nas toalhas alheios a tudo, mas felizes por estarem juntos. Os corpos imóveis absorviam o último calor que os raios de sol lhes ofereciam, embalados pelo arrolar das ondas na rebentação. Estavam novamente na sua casa da ilha de Faro. Situada na avenida nascente a velha casa era uma das mais antigas, dois lotes antes do parque de campismo. Tinha dois portões sendo um deles para os automóveis. Um enorme pátio de pedra voltado para a ria formosa dava-lhes a privacidade que tanto apreciavam durante os meses mais agitados do verão. Era de dois andares, dois quartos, uma sala, casa de banho, cozinha e despensa no piso térreo e quatro quartos, casa de banho e duas varandas no piso superior. A garagem situada no lado esquerdo da casa era o local onde arrumavam as bicicletas e todo o material do barco e da praia, bem como o grelhador que tinham adquirido no início desse verão. Ainda tinham espaço para estacionar dois carros. Adoravam aquel…

Entrevista ao escritor Nuno Nepomuceno

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017 [Autor em Destaque - Entrevista] Nuno Nepomuceno fala sobre "A Célula Adormecida", o seu mais recente livro
Texto e Fotos: Madalena Condado com Nova Gazeta & Diário do Distrito | Direitos Reservados

A 30 de Novembro de 2016, na FNAC Colombo, em Lisboa, o escritor de thrillers Nuno Nepomuceno apresentou o seu mais recente livro “A Célula Adormecida”. Neste seu último trabalho tratam-se assuntos tão atuais como religião e terrorismo.
Para quem já leu as anteriores obras do Nuno sabe que o talento está todo lá, não deixará, contudo, de ser surpreendido pelos locais, as situações, mas principalmente pela transformação que se nota na sua escrita mais fluída, consistente e viciante. Na obra “A Célula Adormecida” consegue sentir-se um grandioso enriquecimento de conteúdos na sua abordagem a temas tão polémicos que nos entram em casa diariamente através da televisão. 
Neste dia tão importante para o Nuno estavam sentados à sua mesa as pessoas …

No dia seguinte ao Natal

No dia seguinte ao Natal, tomo consciência de quem sou, que importo, todas importamos, todas aquelas que durante gerações tiveram o privilégio de estudar na casa da “Irmandade da Cruz”. Ali não somos um nome, somos uma família e se existem momentos que ficam para sempre marcados na nossa memória e se acabam por tornar parte de nós, esse é um deles. No dia seguinte ao Natal, sabemos que no instante em que transpomos o enorme portão verde de ferro, subimos as escadas de pedra e entramos pela mão dos nossos pais através da larga porta de madeira, passamos a fazer parte de um outro mundo. O mundo da Irmandade. No dia seguinte ao Natal, deixamos para trás as crianças tímidas e assustadas e passamos a ser as determinadas mulheres que ainda somos. Sob a tutoria das nossas mentoras e das nossas companheiras de jornada vamos pouco a pouco criando laços tão fortes que nos acompanharão para sempre, mesmo após o momento em que a última de nós deixe de respirar. No dia seguinte ao Natal, dos anos qu…

Conto de Natal

Dois mil e dezasseis anos passaram desde o nascimento de Jesus. Para todos os católicos espalhados pelo mundo este é o dia mais importante do calendário. Fui educada a acreditar que neste dia se celebra aquela criança que nasceu para mudar o mundo e torná-lo melhor para todos nós. E se falarmos nas tradições desta quadra a minha família não é uma exceção. Desde que me lembro este dia gira todo à volta da nossa família. E o centro da minha sempre foi a minha avó Madalena, a minha vovó Lena. Mas esta época do ano mostra-me ainda como o tempo é demasiado curto e cruel, principalmente quando deixamos de ter as pessoas que mais amamos. Em miúda lembro-me de acordar na véspera de Natal com a casa aquecida com a sua alegria, a sua voz rouca, o seu riso fácil, a caricia que me fazia na cara sempre que me cruzava com ela, com os seus olhos brilhantes de felicidade por nos ter a todos. Hoje reunimo-nos. Lembro-me de ter o pinheiro de Natal montado ao canto da sala perto da janela onde já tinham …

À conversa com o Aclamado Autor Amílcar Monteiro

No passado dia 11 de novembro, estive à conversa com o escritor Amílcar Monteiro na FNAC do Colombo. Tinha curiosidade em conhecer este novo autor do panorama nacional humorístico, felizmente acedeu encontrar-se comigo e só posso dizer que foi uma tarde muito bem passada. Quis saber o que o motiva para escrever, mas principalmente queria que me falasse em primeira mão de projetos futuros.
Contou-me que é filho único, que aos seis anos tirou o seu primeiro curso de escrita, leitor fervoroso de tudo desde as embalagens do leite até aos grandes clássicos literários, licenciado em Psicologia, terminada a universidade começou a frequentar cursos que o levariam à sua atual forma de escrita, inicialmente com o curso de escrita humorística de Ricardo Araújo Pereira e posteriormente das Produções Fictícias. 
Faz stand up comedy, é praticante de artes marciais possivelmente para se poder defender de uma piada menos conseguida. Contudo para ele o mais importante continua a ser a sua forma de se…