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Mensagens

Entrevista à escritora Paula Veiga "Leonor de Lencastre, foi uma mulher fabulosa"

Paula Veiga falou-me do seu mais recente livro “A Rainha Perfeitíssima”, editado pela Saída de Emergência e inserido na coleção “História Portuguesa em Romances” onde se cobrem quase quatro séculos de história através dos cinco continentes. Neste seu novo romance ficamos a conhecer D. Leonor de Lencastre em toda a sua plenitude, como mulher, mãe, tia, educadora, regente, benemérita, mecenas e Rainha. Sabendo que a autora faz sempre uma intensiva investigação para todos os seus processos criativos, fico ansiosamente à espera do que ainda tem guardado “dentro da gaveta”, com a certeza, porém de que será uma nova e fantástica obra, seja ela sobre o império romano ou sobre a segunda Grande Guerra Mundial.
MBC - Rainha Perfeitíssima, para quem ainda não leu o livro o que pode esperar tendo em conta o título?  PV - O leitor pode esperar uma obra biográfica sobre esta rainha. D. Leonor enfrentou durante a sua vida algumas tragédias pessoais, sendo confrontada, desde muito nova, com a morte dos i…

Entrevista à escritora Vanessa Lourenço publicada no Jornal Nova Gazeta

Quando há um ano atrás a escritora Vanessa Lourenço nos prometeu uma trilogia com gatos, algumas vozes em surdina pareciam desconfiar desta sua intenção. Como seria possível escrever uma estória fantástica cujos personagens fossem gatos e que ao mesmo tempo não fosse um livro para crianças?
Pois desenganem-se os mais céticos, porque não somente os gatos conseguiram provar que estão preparados para enfrentar tudo e todos seguindo os passos da sua criadora, como passado apenas um ano a Vanessa acabou de lançar o segundo volume desta trilogia.
A verdade é que desde a publicação de “A Cria Negra de Felis Mal’Ak”, a Vanessa voltou para nos apresentar “A Batalha de Sekmet” e mais uma vez conseguiu provar que quando se gosta do que se faz e se trabalha muito conseguem alcançar-se todos os objetivos a que nos propomos e os limites deixam de existir.
Mas todas as estórias têm a sua própria história e por detrás destes fantásticos gatos está a sua criadora. A Vanessa escreve sobre aquilo que é,…

Casa Assombrada do Peso

Não conseguia fechar os olhos naquela noite a pensar no que o irmão me dissera quando chegou da escola naquela tarde. Teimava em assustá-la, parecia que ao sentir o seu medo lhe crescia uma espécie de poder que só ele conseguia compreender. Todos os dias ao final da tarde quando voltava das aulas passava por aquela casa branca, com as janelas de madeira apodrecida, trapos que em tempo teriam sido cortinas de seda e que agora não passavam de nada mais do que velhos trapos sujos, rasgados. Já reparara no brasão de pedra por cima da enorme porta de madeira com batentes de ferro, O quintal tinha ervas tão altas que não permitiam vislumbrar toda a sua opulência de tempos passados e como se não bastasse o velho portão de ferro enferrujado, que já tivera certamente melhores dias, mantinha-se reforçado na sua clausura com correntes de aço trancadas com um cadeado, era notório a quem quer que se atrevesse ali entrar que aquele local estava inacessível. Parecia-lhe ridículo que o irmão a tentas…

Vou subir a fasquia e escrever mais cinco sombras

Está decidido!  Vou subir a fasquia. Quero mais de trinta e três mil pessoas a correrem para as salas de cinema portuguesas para assistirem à estreia dos meus filmes. Quanto ao resto do mundo logo se vê. Ontem, a convite da minha amiga Elisabete, fui ao Colombo assistir ao segundo filme sobre o “senhor cinzento” baseado no romance erótico de E. L. James. Para ser exacta foi esta mesma amiga que me apresentou a autora emprestando-me os seus livros para que os lesse e lhe desse a minha opinião. O que fiz. Passo para os desabafos do que gostei e não gostei no que vi ontem. Pontos Negativos: Dakota Johnson. É como ver a Dory à procura de si mesma. Além de que fica aqui o exemplo de que uma “cunha” nem sempre é aconselhável, principalmente quando naquela família nenhum peixe sabe nadar. Algemas para os tornozelos com extensor-ATENÇÃO não aconselhável a pessoas com excesso de peso, o rodar pode tornar-se problemático para todos os envolvidos. Pontos Positivos: Jamie Dornan, antes de mais porque…

O Covil da Ria Formosa - IV Capítulo

Capítulo Quatro
   Tinham-se juntado no quarto de Mário. Matilde tentava insistentemente contactar com as irmãs para as avisar, mas estas continuavam incomunicáveis.     Diogo entrou a correr, tinha ido espreitar se ainda ali se encontravam e reparara nuns faróis a atravessarem a ponte de acesso à ilha.      - Vem aí alguém. - O que queres dizer? - Inês levantou-se de um salto - Conseguiram entrar? - Não mana, vem alguém a atravessar a ponte. Matilde parecia perder cor a cada hora que passava. - Vamos ter calma. Pelo que percebemos eles não conseguem entrar sem a nossa autorização. O carro passava naquele momento à frente da casa continuando sem abrandar, um grupo de rapazes cantava desafinadamente tentando acompanhar a música sem saberem para onde se dirigiam. Ficou naquele momento provado que não iriam longe, no seu encalce corriam quase todas aquelas almas penadas. - Matilde e Inês, não saiam daqui, já voltamos. – Mário fez sinal aos primos para que o seguissem. - Não nos deixem, por favor…

O Covil da Ria Formosa - III Capítulo

Capítulo Três
            A cozinha e a sala estavam iluminadas pelos candeeiros.             Conseguiam sentir o nervosismo uns dos outros. Sabiam que algo estava errado.             Matilde jantou com eles. Achava-a muito pálida. Podia ser do medo.             - Onde estão as tuas irmãs Matilde? - Inês não resistiu perguntar.             - Foram passear para Faro hoje à tarde, há uma feira de artesanato, devem jantar por lá.             Miguel comia as últimas batatas fritas antes que Diogo as visse.             - A Matilde dorme cá esta noite! - Mário olhou para a prima.             - Parece-me bem. – Não queria que ele fosse para casa dela, não conseguia deixar de pensar na sensação estranha que sentira naquela casa. - Vai ser agradável ter a tua companhia aqui esta noite.             - Obrigada Inês. – Sorriu-lhe. Não parecia ter muita fome, brincava com a comida no prato. Levantou-se.             - Eu já vos venho ajudar a lavar a loiça, vou só num instante a casa buscar algumas roupas.  …

O Covil da Ria Formosa - II Capítulo

Capítulo Dois      Os raios de sol penetravam através da janela do quarto. Mesmo fechada permitia a passagem daquele cheiro que parecia ter ganho novas proporções.       Desceu dirigindo-se à cozinha onde preparou um bule de café. Encheu uma chávena e foi abrir a porta de acesso ao pátio virado para a ria no preciso momento em que Matilde se preparava para bater.           - Olá Mário!           - Matilde? Quando chegaste?           - Ontem à noite. Tiveste saudades minhas?             Ali prostrada à sua frente estava a miúda com quem namorava todos os anos nas férias.             Como não respondesse. Matilde avançou para ele abraçando-o e beijando-o. Evitando passar o limiar da porta. – Não me convidas a entrar?             - Tenho sempre saudades tuas, anda cá. Entra. – Apertou-a, beijando-a.             - Olha porque é que nunca me procuras em Lisboa?             Beijava-lhe o pescoço enquanto lhe respondia a custo – Porque ando sempre de um lado para o outro, sabes que o meu curso não me…