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Mensagens

"Crónicas de Nunes, um asno - adolescência"

“Esta é uma obra de ficção, qualquer semelhança com nomes, pessoas, factos ou situações da vida real terá sido mera coincidência”
* Com meia dúzia de pelos mal semeado no peito, deitado numa toalha de praia tão reduzida que pouco mais lá conseguia deitar do que o seu anafado traseiro ficando com as pernas, cabeça e braços sujos de areia, apertado nos seus minúsculos calções axadrezados de cor verde musgo, antigo modelo que o próprio pai vestira uns anos antes como boxers, pois não havia necessidade de gastar dinheiro em modelos recentes, lá ia encolhendo a barriga cada vez que uma sombra passava por ele.

Tentava apresentar músculos que nunca chegariam a aparecer, aparentar ser mais velho do que era, não fosse o som da sua voz traí-lo com os seus agudos repentinos, o seu desejo continuava a ser seguir as pegadas do velho pai, contudo, no seu intimo esperava que este o perdoasse, mas ultimamente andava obsecado pela imagem de tarzan Taborda, do qual guardava secretamente uma foto em posse…

"Crónicas de Nunes, um asno - infância"

“Esta é uma obra de ficção, qualquer semelhança com nomes, pessoas, factos ou situações da vida real terá sido mera coincidência”
* A infância do Nunes decorreu dentro da normalidade podre que reinava na sua casa. O menino não podia correr porque o velho pai não gostava, não podia falar porque a sua voz o irritava, não podia tocar em nada porque podia partir o espólio que tanta lábia lhe custara a amealhar às já parcas velhas senhoras endinheiradas de Lisboa.

Uma coisa era certa com a sabedoria e sageza do velho pai quando o menino morresse tinha diversos jazigos bem localizados dentro do cemitério do Alto de São João por onde escolher passar a eternidade, até porque como se sabe na alta roda lisboeta mesmo depois de morto tem que se manter a posição social independentemente de como esta tenha sido adquirida. Já as idosas senhoras e as suas respectivas famílias não teriam a mesma sorte, teriam sim o privilégio de escolher um qualquer lote suburbano onde penar pelo seu triste fadário.

O v…

"Crónicas de Nunes, um asno - o nascimento"

“Esta é uma obra de ficção, qualquer semelhança com nomes, pessoas, factos ou situações da vida real terá sido mera coincidência”
Todos, pelo menos uma vez na vida, conhecemos pessoas tão vazias, insignificantes, porém com trejeitos de grandes feitos, criaturas que se rodeiam dos seus similares numa efémera tentativa de se encontrarem na sua triste e insignificante passagem entre nós. No fim não deixam saudades, memórias, e o que eventualmente fica acaba por ser destruído pelo próprio tempo. Por esse motivo as “Crónicas de Nunes, um asno” tenta ser um retrato vivo do que não queremos para os nossos filhos e filhas. * Numa quente tarde de maio nascia Nunes de cognome um asno. O seu inesperado nascimento vinha trocar as voltas de final de vida ao seu velho pai que nunca pensou que na sua provecta idade tivesse que ouvir os gritos daquela criança insegura que numa demonstração da sua fraqueza vinham sempre acompanhados por rios de baba. O velho sentou-se num cadeirão do quarto do hospital d…

ESTÓRIAS COM AS ESCOLAS - SÃO MARTINHO DO PORTO 6D

Em Outubro do ano passado combinei escrever contos de Halloween com alunos da escola de S. Martinho do Porto. Hoje, publico aqui mais uma sempre fascinada pela forma fantástica como com a ajuda da sua professora resolveram acabar o conto. O meu agradecimento a todos. Adorei!

DENTRO DO ESCURO
- Bom dia a todos. Como estamos a poucos dias do Halloween, pensei que podíamos aproveitar a aula de hoje para falar um pouco sobre o que é e como se celebra. Alguém tem alguma ideia? - Contamos histórias de terror! - Vimos filmes de terror! - Fantasmas! - Fadas! - Vampiros! - Bruxas más! - Criaturas lendárias! A professora levantou a mão para que se fizesse silêncio. Não foi fácil acabar com o burburinho que se gerara naquele momento. - Meninos então! Não se esqueçam que estão a decorrer aulas nas salas aqui ao lado. Assim que se fez silêncio, pode continuar. - Muito bem esta celebração tem um pouco de isso tudo mas é muito mais. E eu tenho andado a pensar nos últimos dias como poderemos tornar esse dia real…

ESTÓRIAS COM AS ESCOLAS - SÃO MARTINHO DO PORTO 6C

Em Outubro do ano passado combinei escrever contos de Halloween com alunos da escola de S. Martinho do Porto. Hoje, publico aqui a forma fantástica como com a ajuda da sua professora resolveram acabar o conto. O meu agradecimento a todos e um beijinho especial à professora do 6C pelas suas palavras. Uma visita no próximo ano lectivo fica desde já prometida. 


A CASA ASSOMBRADA

Todos sabem da existência do velho casarão virado para a baía. Abandonado pelo tempo e pela sua própria história. Dizem ser uma das primeiras casas construída naquele local. Porém, pouco se sabe sobre a vida de quem lá vivera, os mais velhos garantiam que eram pescadores, uns mais afoitos afirmavam que eram piratas. O que se sabe é que está abandonada há muito tempo e a sua história continua sem ser contada. Aqueles que passam na marginal, depois da meia noite, juram já ter visto vultos caminhando no seu interior sob luzes tremeluzentes de velas, juram até já ter ouvido vozes a murmurar um convite. Contudo, ao longo …

ESTÓRIAS COM AS ESCOLAS - SÃO MARTINHO DO PORTO 6A

Em Outubro do ano passado combinei escrever contos de Halloween com alunos da escola de S. Martinho do Porto. Hoje, publico aqui a primeira delas e a forma fantástica como com a ajuda da sua professora resolveram acabar o conto. O meu agradecimento a todos. Adorei!
UM DIA MÁGICO
A escola parecia diferente naquele dia. As funcionárias recebiam-nos à entrada vestidas de bruxas, nem faltavam os corvos negros pousados nos seus ombros. As paredes dos corredores estavam cobertas de teias de aranhas gigantes, mantos escuros tapavam as janelas. Conseguiam vislumbrar pelos cantos, olhos a brilhar como se os observassem. Aceleraram o passo para as respetivas salas de aulas. Esperavam que ali não fosse tão assustador. Mas estavam enganados a sala ainda estava pior, parecia assombrada.  - Mas o que é que se passa aqui? – Luís foi o primeiro a falar. Estavam todos parados à entrada, ninguém queria ser o primeiro a entrar. - Onde está a professora? Juntaram-se mais; começavam a sentir medo. Nesse momento …

Entrevista ao autor Paulo Costa Gonçalves

Para quem ainda não o conhece, Paulo Costa Gonçalves é sociólogo e autor, mas acima de tudo um apaixonado pela vida. Bom companheiro de conversas, costuma descrever-se como um aprendiz, uma espécie de escritor que adora a nossa História colocando-a sempre como fio condutor em todos os seus livros. Através da sua escrita conhecemos e aprendemos a amar o inspector Alexandre Melo, este investigador que tem a singular capacidade de nos entrar pela imaginação como um pensamento tornando-se num vicio difícil de saciar. Se nos seus anteriores livros começámos a acompanhar as aventuras e desventuras deste homem que aprendemos carinhosamente a tratar por Alex, no “Enigma da Mentira”, voltarmos a sentir-nos novamente catapultados para as suas investigações, acompanhando cada momento como se fosse o último, vibrando com as suas decisões, opondo-nos a algumas delas, mas acabando sempre por nos sentirmos parte integrante daquele mundo enquanto devoramos as suas páginas na ânsia de saber mais. Damo…