quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Fivela de Aker, Profecia do Sangue

Para trás deixava a sua casa, mas nem por um único momento que fosse se voltou na garupa do cavalo apertou-se mais de encontro a Erik que lhe apertou uma mão para lhe dar coragem. Sentiu uma estranha nostalgia enquanto o barco se afastava, pode vislumbrar à distância três vultos a cavalo gritando o seu nome. Os seus olhos banharam-se de lágrimas iria sentir falta dos seus irmãos. Mas nunca se arrependeria da decisão de entregar a sua vida aquele homem. Ela pertencia-lhe e ele a ela. E assim seria enquanto vivessem.


Fivela de Aker, Profecia do Sangue

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Yggdrasil, profecia do Sangue

Lug vinha apresentar-se à sua rainha. Como lhe fora ordenado tinha estado todo o tempo a seguir Maria e a evitar que algo de mal lhe acontecesse. Tinha sido um período muito chato. Os humanos eram tão previsíveis e aborrecidos. Tinham conseguido estar duas semanas inteiras a comer, beber e a comprar trapos desnecessários que lhes cobrissem os corpos, que em grande parte das vezes nem os favorecia tanto quanto deveria.


Yggdrasil, Profecia do Sangue

Lua do Lobo, Irmandade da Cruz

Os pés já lhes doíam e a chuva já as tinha molhado até aos ossos, mas ninguém falava, continuavam a avançar sempre na esperança de encontrar um local onde se pudessem resguardar em segurança e secar-se um pouco. Seguiam sem reclamar, afinal naquele momento estavam todas na mesma situação e preferiam estar no exterior, onde tinham muitos mais locais por onde fugir se fossem atacadas, do que dentro do sinistro palácio.


Lua do Lobo, Irmandade da Cruz

PREMONIÇÕES

Premonições de um passado sempre tão recente, de um presente tão devastador em toda a sua grandiosidade com todas as suas mais diversas transformações. Mas principalmente de um futuro promissor em toda a tua grandeza.
Hoje, sinto no fundo da alma uma tristeza tão profunda que me parece querer matar lentamente.
Quero manter para sempre, aquela ilusão que tenho desde o dia em que te tive nos meus braços pela primeira vez.
Quero sentir que tudo se vai compor, que tu vais ficar bem.
Os sonhos que tenho para ti, mantém-se vivos com a esperança de que o teu futuro tenha tudo aquilo que sempre te desejei. Tudo aquilo que não tive mas que julgo estar ao teu alcance.
Apesar de sentir que te afastas de mim e deste meu desejo, mantenho a sensação de que o conseguirás alcançar.
Quis sempre proteger-te de tudo aquilo que te pudesse fazer mal.
Quis manter-te perto do meu coração para que ninguém nem nada te fizessem sofrer. Mas agora sinto que não o consigo fazer por muito mais tempo, não que me faltem as forças, mas sim a lucidez. Necessito da tua ajuda. Necessito de ti.
Tenho aquela sensação que teima em me perseguir ultimamente. Sei que estás a sofrer uma grande transformação e que te sentes forte o suficiente para a passares sozinho. Mas por favor não me tentes afastar.
Não quero que o faças.
Não permitirei que o faças.
Quero conseguir gritar bem alto para que pares pois quebras-me a alma. Dizer que sem ti morro, é dizer pouco comparado com aquilo que sinto na realidade.
As palavras nunca serão suficientes para expressar os meus verdadeiros sentimentos.
Queria poder ler-te os pensamentos, saber que não me excluis deles. Mas não consigo.
Quando foi que deixaste de conseguir falar comigo?
Sinto-me afogar neste desespero em que me encontro.
Será tão mau desejar-me presente na tua vida?
Se eu conseguisse prever o que lá vem talvez não sofresse tanto. Mas não consigo.
Hoje, sinto-me abatida.
Dou por mim a pensar onde terei errado.
O que deveria ter feito diferente?
Deveria ter mudado algo?
Mas aquele malfadado pressentimento de que é agora que tudo pode acontecer, teima em não me abandonar.
Chegou o teu momento decisivo.
Este é o tempo da grande mudança.
Para o bem e o mal.
Estarei aqui. Ao teu lado. SEMPRE.
A segurar-te para que não caias E se por acaso caíres serão os meus braços que te erguerão uma vez mais.
Mesmo que te pareça distante, sabe que eu estou ai. Nesse lugar que tomei como meu tão perto de ti.
Basta estenderes-me a tua mão que eu tomo-a.
Desejo ardentemente ser novamente aquela em quem podes confiar.
Aquela a quem deves confidenciar todas as tuas dúvidas.
Se por vezes te parecer irrascível, até pode ser que tenhas razão mas nunca te esqueças que sou sempre, eu.
Tudo o que faço e sempre farei é puro amor.
Nada peço em troca, senão a tua felicidade.
Continuo banhada naquelas premonições que me dizem que tudo se vai compor e que juntos, continuaremos esta caminhada que nos trouxe sempre juntos até aqui.
             Premonição de um futuro risonho.
             Premonição de uma vida completa e feliz.
             Premonição de continuares a ser aquela Homem forte com coração de menino, cabeça ao vento, tão perdido na sua timidez.
             Mas acima de tudo um Homem.
             Esta continua a ser a minha maior premonição.

             Saber-te feliz. 

Texto publicado na colecânea "Premonições", 01 de Fevereiro de 2015, editora Lua de Marfim

Fivela de Aker, Profecia do Sangue

Os lobos uivavam anunciando a sua presença na noite, a lua já despontara por entre as nuvens naquela noite fria e ventosa. Tochas acesas caídas ao longo do caminho permitiam ver o perigoso desfiladeiro que o ladeava. Seguiam ao longo da cordilheira de Fãgãras que as levaria de regresso a casa. Os cavalos galopavam a toda a velocidade tentando diminuir a distância que os separava do seu destino, o Castelo de Arges. A porta levadiça já se encontrava aberta, enquanto os sluji[1], se mantinham atentos com os olhos perscrutando a escuridão que os envolvia, aguardando pelo regresso da sua princesa.

Fivela de Aker, Profecia do Sangue



[1] Guardas do Palácio

Yggdrasil, Profecia do Sangue

Abriu e o que leu:
“Agora que caí, só tu me podes levantar, mo ghrá”

Meu Deus era este homem que a amava com esta intensidade que procurava o perdão dela? Mas quem era ela! Só podia estar louca. Tudo o que ele lhe fizesse, ela receberia de bom grado. Amava-o.


Yggdrasil, Profecia do Sangue

Lua do Lobo, Irmandade da Cruz

– Parece uma brincadeira de mau gosto. Não é para isto que os meus pais pagam um colégio tão caro! – Sónia empurrava-se para o meio das outras. Não conseguia ver nada com aquela escuridão.
– Começo a achar que estamos aqui sozinhas! – Margarida olhava em volta.
– Isso é um absurdo – Paula mantinha os olhos na porta – Nunca nos deixariam para trás. Devem estar lá fora à nossa espera.
– O que sugerem? Vamos à procura das Irmãs ou ficamos aqui quietas até que nos venham buscar? – a voz de Helena tremia.


Lua do Lobo, Irmandade da Cruz

A CASA

“Esta é uma obra de ficção, qualquer semelhança com nomes, pessoas, factos ou situações da vida real terá sido mera  coincidência” ...