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Mensagens

De casinha a casa, ou o pretensiosismo a roçar a porcaria.

Uma casa antiga tem alma. A alma das pessoas que lá viveram, que por lá passaram e que de alguma forma deixara o seu cunho. Foi por todos esses motivos que me senti tão atraída pela minha nova casa.
Soube desde o primeiro dia que necessitava de obras. Mas esse era o maior atractivo nela. Quem me conhece sabe que não gosto de casas modernas, com aspiração central, com piscina olímpica ou até mesmo sistema de segurança ultrassofisticado. Para mim todos esses aspectos são colmatados com a vassoura, um pequeno lago, cães e gatos (muitos de preferência).
Gosto do que é rústico, acho graça a um muro a necessitar de uma pintura, árvores para serem podadas, erva para ser cortada, a simples ideia de ter o meu próprio poço com uma nascente natural dá-me um novo ânimo pois tudo isto faz parte das alegrias de colocarmos o nosso próprio cunho naquilo que é nosso e sermos recompensados.
A pior parte é quando começamos a conhecer os anteriores proprietários pelo que vamos encontrando espalhado pelo te…

À conversa com a autora Inês Oliveira

Por acreditar na divulgação de novos autores como forma de promoção do seu trabalho e por contar com esse mesmo apoio por parte das chefias do Jornal Nova Gazeta, estive à conversa com mais uma jovem autora portuguesa emigrada em França.
Poderia ser eu a apresentar-vos a Inês Oliveira mas nada melhor do que a própria para falar de si e do seu trabalho.
MBC – Quem é a Inês Oliveira? IO - Uma jovem cheia de segredos e contos. Estou emigrada em França desde os vinte e quatro anos, longe da minha família e amigos. Ao início para tentar colmatar a sua ausência agarrei-me à leitura. Livros portugueses pois sempre adorei ler, mas aos poucos também comecei a ler em francês movia-me a necessidade de me integrar mais rapidamente no país que me acolhia.
MBC – O que te levou a escrever, e principalmente a escrever poesia? IO - A solidão. Ao separar-me da minha família e amigos para partir nesta nova aventura fez com que rapidamente me sentisse isolada de todos os meus hábitos e caprichos. Escrever s…

À conversa com o escritor Robert Service

O que nos leva a ler um livro com o título: “O último dos Czares, Nicolau II e a Revolução Russa” cem anos após o seu acontecimento? Será o mistério que ainda hoje existe à volta da família Romanov? O aparecimento de Putin como um novo imperador que tenta reunificar esta nova Rússia? Para sabermos as respostas a todas estas questões fomos falar com o autor.


Robert John Service é um historiador e autor britânico que tem escrito extensivamente sobre a história da União Soviética, particularmente desde o período da Revolução de Outubro à morte de Stalin. Actualmente é professor de história da Rússia na Universidade de Oxford. Como autor, é conhecido por ter escrito as biografias de Vladimir Lenin, Josef Stalin e Leon Trotsky.
Sendo eu uma curiosa pela história mundial, os mistérios escondidos em documentos antigos e tendo uma forte ligação familiar à Rússia tive o privilégio de falar com o autor para tentar perceber um pouco melhor o que o leva a sentir esta mesma atração. Porquê Nicolau II…

À conversa com a pintora Armanda Alves e com a autora Luisa Fresta

“Há momentos em que nos apetece abraçar o mundo”, foi desta forma que a poetisa Regina Correia apresentou a autora Luísa Fresta e a pintora Armanda Alves no seu mais recente trabalho a quatro mãos, estou a falar do livro “Contexturas”, publicado pela editora Livros de Ontem.
“Contexturas", é uma confortável viagem através de um universo de emoções. Um livro composto por vinte pequenos contos todos eles emoldurados por uma tela única. Sentimos ao folhear as suas páginas que a respiração acelera como um despertar dos nossos próximos sentimentos tal é a harmonia existente entre a pintura e os contos. Através das suas páginas somos conduzidos numa viagem ímpar por terra e por mar, onde a imaginação encontra no extraordinário o banal, sentimo-nos parte de todo aquele teatro narrativo, imersos nas suas páginas de onde nos recusamos sair por querermos sempre mais. De imediato notamos a ligação das autoras à mãe natureza, à língua, ao cheiro do oceano angolano, aos sabores, às cores de Áfr…

À conversa com o autor Manuel do Nascimento

Tenho conversado regularmente com novos autores portugueses que tentam vingar no competitivo panorama literário português, sem me esquecer de todos os outros que vivem fora de Portugal.  
No ano passado conheci alguns desses autores e cheguei mesmo a ter a oportunidade de apresentar o meu trabalho em Paris por intermédio deles.
Deixo-vos aqui a conversa que tive com o Manuel do Nascimento para que o possam conhecer um pouco melhor e saber o que tem feito pela divulgação da nossa história. A altura para o fazer foi a ideal na medida em que o Manuel publicou o seu primeiro romance no passado mês de agosto.
MBC – Para quem ainda não te conheça, gostava que te apresentasses. MN - Nasci numa vila da região do Dão no distrito de Viseu. Aos 11 anos completei o exame da 4ª classe, e como os meus pais tinham poucos recursos. Vi-me obrigado a vir para Lisboa viver com familiares de forma a poder continuar os meus estudos. A verdade é que podia ter ido para Lamego ou Viseu, mas infelizmente os meus…

Férias de Verão, Casamento e Emigração

Acabaram as férias que para muitos continuam a ser repartidas entre o mês de junho e o mês de setembro, em grande parte para evitar o afluxo de emigrantes que regressam sempre nos fortes meses de verão. A simples ideia de praias atulhadas de “Michel vien ao pai”, horas nas filas, o ouvir as habituais reclamações de que em Portugal é sempre a mesma coisa, que este nosso país parece um daqueles do terceiro mundo, continuam a ser motivo mais do que suficiente para muitos portugueses continuarem a fazer férias fora do característico período emigrante.
Se esta é a realidade do nosso país nos dois fortes meses de verão, também é verdade que os emigrantes não são mais do que os nossos portugueses regressados numa tentativa de aplacarem o saudosismo que se acumula nos longos e frios meses, nos países de acolhimento. Voltam para recarregar baterias com a boa comida, o vinho, o clima, a família e os amigos antes de serem uma vez mais obrigados a regressar.
Passei a entender esta movimentação de g…